Que diferença o engajamento com a Bíblia faz na vida de alguém? Ao longo de oito anos, o Centro de Pesquisa Bíblica (CPB) entrevistou mais de 100 mil pessoas de todo o mundo com perguntas sobre vida espiritual, e constatou de forma consistente que engajar-se com as Escrituras quatro ou mais dias por semana tem um impacto profundo na vida de um indivíduo. De fato, para os seguidores de Cristo, ouvir regularmente a Deus por meio de Sua Palavra é o indicador mais poderoso de crescimento espiritual.
A seguir, apresentamos uma síntese da pesquisa do CPB intitulada “O poder dos 4”, que aborda o engajamento frequente com a Bíblia como um indicador de crescimento espiritual. Durante o processo desse trabalho, os pesquisadores do CPB mediram vários aspectos do crescimento espiritual, incluindo comportamento moral, lutas emocionais, vivência proativa da fé cristã e autopercepção. Abaixo estão as principais conclusões desta pesquisa:
O engajamento com as Escrituras na maior parte dos dias da semana produz uma fé mais proativa entre os cristãos. Considerando fatores como idade, gênero, frequência à igreja e práticas de oração, os indivíduos engajados com a Bíblia têm chances significativamente maiores de contribuir financeiramente, memorizar as Escrituras e compartilhar sua fé com outras pessoas.
A percepção que as pessoas têm de seu próprio crescimento espiritual também é afetada pela frequência com que ouvem Deus por meio da Bíblia. Aqueles que se engajam com as Escrituras na maior parte dos dias da semana têm menos probabilidade de se sentirem espiritualmente estagnados e de acharem que não conseguem agradar a Deus.
Receber, refletir e responder à Palavra de Deus quatro ou mais vezes por semana diminui as chances de uma pessoa lutar contra determinados problemas, como sentir-se amargurada, pensar de forma negativa sobre si mesma ou sobre os outros, ter dificuldade para perdoar e sentir-se desanimada.
Uma pessoa que lê a Bíblia quatro ou mais vezes por semana tem menos probabilidade de ceder a determinadas tentações, como beber em excesso, assistir pornografia, ficar com raiva, fofocar e mentir.

Em termos gerais, os poderosos efeitos do engajamento bíblico no crescimento espiritual foram demonstrados de forma confiável em muitos de nossos estudos anteriores 一 relatados em 2006, 2009 (1) (2) (3), e 2012. Além disso, organizações como a Willow Creek Association (Hawkins & Parkinson, 2007) e a Lifeway Research (Geiger, Lekkey, & Nation, 2012) também relataram resultados semelhantes. Juntas, essas linhas independentes de pesquisa levam a uma conclusão simples: o engajamento com a Bíblia na maior parte dos dias da semana é extremamente necessário para o crescimento da fé cristã.
A próxima seção, extraída de nosso relatório de 2012, resume a pesquisa “O poder dos 4” do CPB, que foi realizada ao longo de oito anos e justifica por que o engajamento com a Bíblia é fundamental para o crescimento espiritual. De todas as práticas bíblicas que consideramos em nossa pesquisa, nenhuma foi capaz de prever o crescimento espiritual de forma tão confiável quanto o engajamento com as Escrituras.
O que fizemos
Para sintetizar a pesquisa, utilizamos dados de pesquisas realizadas pela Internet com 108.196 pessoas, com idades entre oito e mais de 80 anos. Algumas de nossas pesquisas foram feitas com amostras aleatórias da população geral dos Estados Unidos e de outros 20 países, outras foram feitas com amostras não aleatórias de pessoas que se identificaram como seguidores de Cristo em ambientes como igrejas e ministérios paraeclesiásticos.
Para obter o quadro mais completo possível, os pesquisadores do CPB incluíram uma mistura de perguntas fechadas e abertas, abrangendo tópicos como:
- Preferências e crenças religiosas;
- Crenças a respeito da comunicação com Deus;
- Crenças sobre crescimento e maturidade espiritual;
- Frequência a cultos religiosos;
- Engajamento com a oração e com a Bíblia;
- Engajamento em outras disciplinas espirituais e atividades religiosas;
- Tentações e dificuldades diárias, e comportamento moral.
Medir o crescimento espiritual é um desafio assustador. Os teólogos discordam sobre como definir crescimento ou formação espiritual e, mais ainda, sobre como medi-lo. Conceitualmente, nossa definição de crescimento espiritual é bastante simples: “tornar-se menos a pessoa que eu era antes de comprometer minha vida a seguir Jesus” e “mais semelhante a Cristo em meus pensamentos, palavras e ações”.
Adotamos uma abordagem dupla para medir o crescimento espiritual. Primeiro, nossos pesquisadores consideraram o comportamento moral e as lutas emocionais. Mas embora o comportamento seja importante, somente o indivíduo conhece sua verdadeira condição espiritual. Por isso, também incluímos um componente de autoavaliação nessa medição de crescimento espiritual. Isso abordou não apenas como os entrevistados descreveriam sua vida espiritual atual, mas também com que frequência eles se sentiam espiritualmente estagnados.
Engajamento com a Bíblia, comportamento moral e dificuldades pessoais
O gráfico abaixo mostra a frequência com que as pessoas que vão a igreja regularmente lutam contra vários comportamentos, atitudes e emoções. Para a maioria dos homens e mulheres, o medo ou a ansiedade, os pensamentos negativos sobre os outros e o sentimento de estagnação espiritual são questões com as quais eles lutam ao menos uma vez por mês.

Esperamos ceder menos às tentações à medida que crescemos espiritualmente. O pressuposto é que práticas espirituais como ir à igreja, orar, participar de pequenos grupos e ler a Bíblia, promovem crescimento espiritual. Muitas dessas práticas estão, de fato, correlacionadas entre si. Por exemplo, as pessoas que frequentam a igreja têm maior probabilidade de orar e se engajar com a Bíblia do que as que não frequentam. São necessários modelos estatísticos que separem os efeitos de cada prática espiritual para entender como ela está exclusivamente relacionada ao crescimento espiritual.
Sobre O poder dos 4
Em todas as pesquisas, os pesquisadores do CPB examinaram repetidamente a relação entre práticas espirituais, comportamento moral e dificuldades. Análises de regressão logística, controlando fatores como idade, gênero, frequência à igreja e práticas de oração, têm demonstrado consistentemente que o engajamento com a Bíblia prevê com exclusividade a frequência com que pessoas de diversos grupos demográficos cedem às tentações e dificuldades. Resumindo todos os estudos, descobrimos que, se uma pessoa se engajar com a Bíblia quatro ou mais vezes por semana, diminuirá suas chances de ceder a estas tentações:
- Beber em excesso (-62%)
- Assistir pornografia (-59%)
- Ter relações sexuais fora do casamento (-59%)
- Apostar em jogos de azar (-45%)
- Irar-se (-31%)
- Fofocar (-28%)
- Mentir (-28%)
- Negligenciar a família (-26%)
- Comer demais ou não ter uma relação saudável com a comida (-20%)
- Gastar excessivamente ou fazer mau uso do dinheiro (-20%)
O engajamento com a Bíblia também produz mais paz e alegria, reduzindo a frequência com que uma pessoa lidará com diversas lutas emocionais. Receber, refletir e responder à Palavra de Deus quatro ou mais vezes por semana diminui as chances de alguém lutar contra estes problemas:
- Sentir-se amargurado (-40%)
- Pensar de forma negativa sobre si mesmo ou sobre os outros (-32%)
- Sentir que precisa esconder o que faz ou sente (-32%)
- Ter dificuldade em perdoar os outros (-31%)
- Sentir-se desanimado (-31%)
- Sentir solidão (-30%)
- Comer demais ou não ter uma relação saudável com a comida (-20%)
- Ter dificuldade de perdoar a si mesmo (-26%)
- Pensar mal dos outros (-18%)
- Sentir medo ou ansiedade (-14%)
Engajamento com a Bíblia e fé proativa
Definir crescimento espiritual como “tornar-se mais parecido com Jesus” inclui mais do que apenas abster-se de certos comportamentos e atitudes; é viver essa fé proativamente, tendo-o como exemplo. Isso significa demonstrar amor e preocupação pelas demais pessoas e pelo crescimento espiritual delas.
Em todas as pesquisas, descobrimos que o engajamento com as Escrituras na maioria dos dias da semana é um forte indicador de uma fé mais proativa entre os cristãos. De forma específica, e considerando a idade, o gênero, a frequência à igreja e as práticas de oração, uma pessoa engajada com a Bíblia tem chances significativamente maiores de:
- Contribuir financeiramente com uma igreja (+416%)
- Memorizar as Escrituras (+407%)
- Discipular outras pessoas (+231%)
- Compartilhar sua fé com outras pessoas (+228%)
- Doar financeiramente para outras causas além de sua igreja (+218%)
Engajamento com a Bíblia e autopercepção de crescimento espiritual
A primeira etapa de nossa pesquisa focou na relação entre engajamento bíblico e comportamento. Já a segunda parte dessa medição de crescimento espiritual 一 aquela em que o indivíduo sente se está ou não crescendo espiritualmente 一 foi abordada por meio das autoavaliações dos entrevistados.
Pesquisas realizadas em congregações de dos Estados Unidos revelaram que a maioria das pessoas sente, com frequência, que não está crescendo espiritualmente. Na verdade, nove em cada dez frequentadores regulares da igreja sentem que não estão crescendo espiritualmente pelo menos uma vez por ano. Em média, eles passam de três a quatro meses do ano espiritualmente “estagnados”.
Receber, refletir e responder ao que Deus diz na Bíblia surge novamente como o determinante mais poderoso do crescimento espiritual. Alguém que se engaja com as Escrituras quatro ou mais dias por semana tem chances significativamente menores de:
- Sentir-se espiritualmente estagnado (-60%)
- Sentir que não consegue agradar a Deus (-44%)
Ao longo dos anos, o CPB perguntou aos entrevistados sobre praticamente todas as práticas espirituais comuns no cristianismo, incluindo oração, engajamento com a Bíblia, reflexão, jejum, frequência à igreja, escola dominical/estudo bíblico, pequenos grupos, leitura de livros de não ficção, leitura de livros de ficção, ouvir música cristã, viagens missionárias e escolas cristãs. Nenhuma dessas práticas foi capaz de prever o crescimento espiritual da mesma forma que o engajamento com a Bíblia.

O que a Bíblia diz
Embora a pesquisa não nos permita concluir que o engajamento bíblico diminui os comportamentos negativos e aumenta os comportamentos proativos, sabemos pela Bíblia que a Palavra de Deus é o principal meio pelo qual o Espírito Santo transforma Seu povo. “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para nos ensinar o que é verdadeiro e para nos fazer perceber o que não está em ordem em nossa vida. Ela nos corrige quando erramos e nos ensina a fazer o que é certo” (2 Timóteo 3:16-17).
O poder sobrenatural da Palavra de Deus é direcionado a cada cristão para causar transformação. Por isso, para o CPB, a definição de engajamento bíblico é:
Ler (ou receber), refletir e responder à Palavra de Deus, a fim de criar “oportunidades” para que o Espírito Santo, por meio de Sua liderança e capacitação, promova crescimento espiritual, frutificação, e gere convicção.
Os “3 Rs” dessa definição separam livremente o que fazemos como cristãos daquilo que Deus faz por meio de Sua Palavra e Espírito sobrenaturais. O engajamento bíblico e “O poder dos 4” demonstram resultados transformacionais esperados que a própria Bíblia promete. O Salmo 1, por exemplo, descreve figurativamente uma pessoa que se deleita na Torá (Lei) de Deus e “nela medita dia e noite” (v.2). Essa pessoa é como uma árvore plantada junto a um rio, que produz frutos na estação certa.
Limitações da pesquisa
Como mostramos, o engajamento com a Bíblia por meio do poder transformador do Espírito Santo é um método confiável para medir o crescimento espiritual; no entanto, não é o único. Abaixo estão as perguntas que recebemos ao longo dos anos sobre nossa pesquisa:
“O poder dos 4” reflete uma compreensão estritamente comportamental do crescimento espiritual?
Para avaliar o impacto do engajamento com a Bíblia na vida de um indivíduo, usamos uma abordagem dupla para medir o crescimento espiritual 一 análise comportamental e autoavaliações 一 e, em seguida, acompanhamos os dados até as práticas mais previsíveis. As evidências do poder dos 4 não devem, entretanto, apoiar uma visão supersticiosa ou “mágica” da Bíblia, nem uma abordagem exclusivamente comportamentalista da maturidade espiritual, como se o engajamento fosse uma fórmula que garante resultados automáticos. Essa pesquisa também não está promovendo a “justiça pelas obras”. A pesquisa simplesmente aponta para a melhor prática prevista que podemos utilizar para obter frutos espirituais verdadeiros e, em seguida, medir os resultados (cf. Mateus 7:20). Como sabemos que o crescimento espiritual é complexo, as futuras pesquisas do CPB examinarão detalhadamente o papel da emoção, da motivação e da comunidade como fatores contribuintes.
“O poder dos 4” reflete uma compreensão estritamente individualista do crescimento espiritual?
Embora a pesquisa tenha descoberto a prática que mais prevê para o crescimento de um indivíduo, é provável que uma dimensão comunitária desse crescimento espiritual seja vital; no entanto, ela não foi estudada o suficiente para mostrar sua capacidade preditiva. Pesquisas futuras sobre movimentos de discipulado nos fornecerão novos dados para explorar.
Essa pesquisa reflete um entendimento específico do crescimento espiritual?
Os termos teológicos para crescimento espiritual incluem “santidade” e “santificação”. A pesquisa do CPB é compatível com qualquer doutrina ortodoxa de santificação. O quadro de referência “O poder dos 4” está simplesmente isolando o papel das Escrituras como um meio primário que o Espírito usa para promover crescimento.
Por mais significativa que a pesquisa “O poder dos 4” seja, ninguém deve pensar que ela descobriu algo novo. Ao contrário, ela confirmou o que a Bíblia diz sobre si mesma e o que milhões de seguidores de Jesus descobriram em sua jornada de fé ao longo dos séculos. A pesquisa reforça a importância da norma bíblica de engajamento frequente com a Palavra de Deus. Essa pesquisa fornece uma maneira de entender, medir e acompanhar o crescimento espiritual para que igrejas e ministérios possam apoiar as pessoas de forma mais eficaz em sua jornada espiritual.
Conclusões
A ciência da pesquisa exige paciência e diligência. Um estudo que demonstre um determinado efeito ou relação não é suficiente. Em vez disso, o objetivo é verificar a confiabilidade da descoberta por meio de vários estudos ao longo do tempo.
Esta publicação sintetizou oito anos de pesquisa a respeito da vida espiritual de mais de 100 mil pessoas em todo o mundo. Em todos esses estudos individuais, é consistente a constatação de que engajar-se com a Bíblia quatro ou mais vezes por semana é o indicador mais forte e confiável de crescimento espiritual. O engajamento bíblico afeta tanto os aspectos comportamentais do crescimento espiritual 一 ou seja, uma vida que se parece mais com a de Jesus 一 quanto a autopercepção. A relação também se mantém quando os pesquisadores consideram outras práticas espirituais, como frequência à igreja e oração.
Embora tenhamos abordado o tema do crescimento espiritual a partir de diferentes perspectivas, nossas conclusões são notavelmente semelhantes às da Willow Creek Association. Eles também concluíram, em seu estudo de vários anos e envolvendo diversas igrejas, que há pouca relação entre o envolvimento em atividades da igreja e o crescimento espiritual.Além disso, eles concluíram que o engajamento com a Bíblia é o indicador mais poderoso de crescimento. A pesquisa Lifeway também chegou a conclusões semelhantes.
Juntas, essas linhas independentes de pesquisa levam a uma conclusão simples: o engajamento com a Bíblia na maior parte dos dias da semana é fundamental para o crescimento da fé cristã. As implicações dessa conclusão são amplas e profundas para pastores e líderes cristãos, igrejas, escolas e ministérios evangelísticos. Aqueles que levam a sério a tarefa de ajudar as pessoas a crescerem em um relacionamento com Jesus Cristo precisam considerar cuidadosamente onde estão investindo suas energias, e se essas atividades estão produzindo impactos duradouros ao engajar as pessoas com a Palavra de Deus.
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